O primeiro e o segundo monge da fila
passaram, desviando o olhar da linda jovem. O terceiro da fila não hesitou.
Apanhou a jovem donzela em seus braços e, carregando-a, atravessou o córrego
com ela no colo, deixando-a, seca e protegida, do outro lado das margens.
Os outros monges todos se entreolharam com o
semblante carregado de reprovação, porém prosseguiram sua marcha em silêncio.
Após alguns quilômetros de incomodado silêncio,
o segundo monge não mais suportou. Parou, olhou para trás e repreendeu o
companheiro:
Como pudeste fazer aquilo. Tu que abraçaste o
celibato, tu que juraste jamais tocar uma mulher, como pudeste carregar em teus
braços aquela donzela?
-O terceiro monge ponderou:
Eu a deixei às margens do córrego. Tu, porém,
pareces que continuas a carregá-la. A malícia somente existe nos olhos, na
mente e no coração de quem a vê, sente e imagina.
cacaiedez@hotmail.com
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