terça-feira, 18 de março de 2014

A MALÍCIA


Eles aproximaram-se do córrego. A caravana seguia seu destino, marchando em fila indiana. Eis que à beira do lago, uma linda jovem aguardava para atravessá-lo. Porém temia em molhar e estragar seu lindo vestido.
O primeiro e o segundo monge da fila passaram, desviando o olhar da linda jovem. O terceiro da fila não hesitou. Apanhou a jovem donzela em seus braços e, carregando-a, atravessou o córrego com ela no colo, deixando-a, seca e protegida, do outro lado das margens.


Os outros monges todos se entreolharam com o semblante carregado de reprovação, porém prosseguiram sua marcha em silêncio.

Após alguns quilômetros de incomodado silêncio, o segundo monge não mais suportou. Parou, olhou para trás e repreendeu o companheiro:

Como pudeste fazer aquilo. Tu que abraçaste o celibato, tu que juraste jamais tocar uma mulher, como pudeste carregar em teus braços aquela donzela?

-O terceiro monge ponderou:

Eu a deixei às margens do córrego. Tu, porém, pareces que continuas a carregá-la. A malícia somente existe nos olhos, na mente e no coração de quem a vê, sente e imagina.

cacaiedez@hotmail.com

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